Anorexia  

 

 CONCEITO

A anorexia é uma doença do foro psicológico, que se manifesta por uma rejeição da alimentação e um medo obsessivo de engordar, com graves implicações físicas mas também emocionais. O próprio nome, anorexia, significa “perda de apetite”. No entanto,         o doente anoréctico não perde o apetite, conserva o seu apetite “normal” mas passa a controlá-lo com o objectivo de perder peso.

Esta doença afecta principalmente jovens durante o período da adolescência e até aos 25 anos, e maioritariamente mulheres, cerca de 95% dos casos, contra apenas 5% de casos no sexo masculino. Assim a anorexia é muito mais estudada nas mulheres, existindo apenas algumas diferenças comportamentais e sintomáticas entre os sexos.

Em 1970 foram estabelecidas as Características Fundamentais da Anorexia Nervosa, que consistem num comportamento persistente com o objectivo de perder peso, alterações psicológicas características causadas pelo medo de engordar e perturbações originadas por alterações endócrinas e que se traduz na falta de menstruação (amenorreia) nas mulheres e falta de potencia e interesse sexual nos homens.

A anorexia se não for devidamente diagnosticada e tratada pode tornar-se crónica e conduzir à inanição e consequente morte em 5% dos casos.

  

 


Tipos de Anorexia

 

A anorexia pode ser dividida em dois tipos: tipo Restritivo e tipo Compulsão Periódica/purgativo.

No tipo Restritivo, a perda de peso é conseguida essencialmente através de dietas, jejuns ou exercícios excessivos. Neste momento de anorexia o paciente não cede a vontades súbitas de comer.

No tipo Compulsão Periódica/Purgativo, o paciente cede regularmente a vontades súbitas de comer. Assim, após passar vários dias em jejum, não aguenta a fome e começa a comer compulsivamente, na maior parte das vezes alimentos com alto valor calórico. Após estas compulsões, o paciente vomita, a maior parte das vezes de maneira auto-induzida, ou recorrendo a laxantes ou diuréticos. Também são incluídos neste tipo os pacientes que, apesar de não comerem de forma compulsiva, vomitam regularmente, mesmo após o consumo de pequenas quantidades de alimentos. A maior parte dos pacientes com anorexia de tipo compulsão periódica/purgativa dedica-se a estes comportamentos pelo menos uma vez por semana.

Comparando estes dois tipos, os pacientes menos graves e com melhor prognostico são os de tipo restritivo. Os de tipo compulsão periódica/purgativo estão mais propensos a ter outro tipo de problemas, ao nível do controlo de impulsos, ao abuso de álcool e drogas, à exibição de uma maior instabilidade de humor, a serem sexualmente activos, etc.

 

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Causas

 A Anorexia Nervosa é causada por um conjunto complexo de factores, que, ao culminarem num determinado momento, dão início à doença. É considerada um distúrbio bio psicossocial, visto que tem como causas factores biológicos (genéticos e neuroendócrinos), psicológicos (nos quais se incluem os familiares) e socio-culturais.

 Factores Biológicos

 

·        Factores Genéticos

             Várias pesquisas indicam que pode existir uma predisposição genética no desenvolvimento da anorexia. Por exemplo, gémeos monozigóticos têm uma tendência muito maior para sofrerem ambos de anorexia do que os gémeos dizigóticos (56% contra 5%). Além disso, parentes de primeiro grau dos pacientes com anorexia apresentam um risco aproximadamente oito vezes maior de apresentar a doença, do que a população geral.

 

·        Factores Neuroendócrinos

             Nestes factores incluem-se as alterações hormonais que ocorrem durante a puberdade, e também as alterações que ocorrem nos neurotransmissores cerebrais (dopamina, serotonina, noradrenalina), que estão ligados à regulação do comportamento alimentar e manutenção de peso.

 

Factores Psicológicos 

         A personalidade de um doente anoréctico está de tal forma traçada cientificamente que se fala mesmo numa «personalidade anoréctica». A Anorexia Nervosa é muito mais do que uma mania de dietas e magreza. Esta doença é a face visível de um pedido de socorro, é uma forma de comunicar aos seus amigos e familiares de que algo não está bem consigo. Os traços da personalidade são um dos mais significativos factores de risco para o desenvolvimento da doença. Estes já existem antes do aparecimento da doença, e mantêm-se na mesma após a recuperação do peso. A «personalidade anoréctica» é caracterizada por uma grande competitividade, pessimismo, insegurança, busca de ideias elevados, uma incapacidade de ultrapassar as exigências da vida, com tendência para o isolamento e a introversão, mas, no entanto, com medo da separação e individualização. Existe, também, uma clara tendência para o perfeccionismo e obediência.

 

·        Factores Familiares

 As famílias dos doentes anorécticos são, habitualmente, extremamente críticas, e evitam, a todo o custo, conflitos, dado que são demasiado controladoras e exigentes.

 

·        Factores Socio-culturais

          A sociedade actual defende e promove a magreza como sinal e sinónimo de saúde, feminilidade, de sucesso, de sociabilidade, de beleza e de felicidade. Nos meios de comunicação social vemos constantemente imagens de jovens esbeltas e magras, a desfilar por passerelles, sendo extremamente famosas e ricas. Assim, é exercida uma enorme pressão sobre as mulheres da cultura ocidental, em especial nas adolescentes, que são as mais vulneráveis às modas, para atingirem determinados peso e medidas corporais, pois só assim poderão atingir os seus objectivos e serem felizes. Esta sociedade não se limita a ditar o peso ideal, o padrão alimentar adequado ou o número de abdominais necessários para alcançar o peso desejado, acaba por atribuir significado social e moral à forma corporal.

          Por fim, podemos ainda considerar alguns acontecimentos negativos que ocorram na vida de uma pessoa como factores de desenvolvimento da anorexia, tais como perda de emprego, mudança de cidade, o fim de um relacionamento, etc..

 

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Consequências

Uma das consequências desta doença é a  perda da identidade. Há uma tendência para o suicídio, uma verdadeira desmotivação de viver. As doentes são levadas a uma desnutrição grave, o que provoca graves consequências para a saúde como a bradicardia, quando tem menos de 60 batimentos cardíacos por minuto), podendo mesmo ocorrer uma paragem cardíaca, devido a um desequilíbrio electrolítico provocado por uma diminuição de potássio no sangue.

A adolescente anoréctica envelhece precocemente, pois sofre de queda de cabelo, pele seca e enrugada, unhas quebradiças, geralmente fica com as extremidades dos membros frias, a tensão arterial baixa, os períodos menstruais tornam-se extremamente irregulares ou mesmo inexistentes. Outra afirmação categórica que nos fornece a medicina psicossomática, é da recusa da feminilidade por parte da anoréctica, pois esta não quer ter ancas nem seios. A gravidez e a maternidade são mesmo consideradas como aberrações.

            Nos rapazes anorécticos, há também uma rejeição e desmotivação em relação à vida, e uma das consequências mais frequentes é a perda de erecção; tanto num sexo como no outro, existe perda gradual do desejo sexual; ingestão quase exclusiva de frutas e saladas; consumo excessivo de laxantes e diuréticos que os conduzem ao mórbido emagrecimento desejado; tendência para maior agressividade e isolamento social; hiperactividade física; perturbação do sono, que podem tomar proporções graves como insónias e, quando dormem, é com dificuldade que se abandonam ao sono, dado o seu nível de excitação.

É difícil tratar a anorexia através do método psicanalítico, pois os jovens falam muito pouco e há uma recusa de falar de si próprios, contudo há psicoterapias adequadas, que atingem uma margem de cura de cerca de um terço.  

Para curar esta doença tão generalizada nos nossos dias são necessários pelo menos 2 anos, e nem todos os casos são passíveis de cura, havendo uma probabilidade de cerca de 20% da doença se tornar crónica. Nestes casos podem ainda tornar-se frequentes episódios de anorexia-bulimia, bulimia com peso normal (com vómitos), anorexia restritiva pura, e morte após 10 a 15 anos de evolução da doença em 8% dos casos.

 

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Critérios de Diagnóstico

 

Os critérios de diagnóstico da Anorexia Nervosa baseiam-se no aparecimento dos seguintes sintomas:

Há ainda a acrescentar os valores do Índice de Massa Corporal (IMC) obtidos através do quociente entre o peso (kg) e a altura (m) elevada ao quadrado, que são considerados relevantes por alguns especialistas. Normalmente um índice inferior a 17,5 é já considerado preocupante quando associado a outros sintomas. A anorexia pode ser considerada como moderada se o IMC ronda os 17,5, severa se for inferior a 15 e crítica se tiver um IMC a volta de 12,5.

Existem também outros critérios, não tão objectivos, mas também eles indicadores de possível anorexia, como por exemplo, a prática exagerada de exercício físico intenso, irregularidade ou inexistência temporária dos períodos menstruais, indução de vómito, etc.

 

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Tratamento

O tratamento da anorexia nervosa é difícil, moroso e muito especializado, ou seja, requer uma equipa que abranja os aspectos psicológicos e psiquiátricos, médicos e sociais. Nos casos mais graves de anorexia, em que há perda de peso progressiva e muito acentuada com sérias complicações físicas e/ou existência de índices elevados de psicopatologia, é necessário o internamento dos doentes, mas, no geral, este tratamento é feito em regime de ambulatório e consiste numa psicoterapia individual, por vezes complementada com sessões de terapia familiar.

Numa primeira fase pretende-se uma recuperação do peso e regularização do padrão alimentar, pedindo-se ao doente que faça um registo escrito de tudo o que come, dos comportamentos e dos sentimentos associados. É feito um plano geral das refeições com horas marcadas e vai havendo um aumento progressivo da quantidade de alimentos e introdução de novas comidas, sendo fundamental a reintrodução de hidratos de carbono.

A segunda fase consiste na reestruturação cognitiva do doente, isto é, o combate aos pensamentos disfuncionais e às distorções cognitivas muito frequentes nos anorécticos, bem como ao seu perfeccionismo e rigidez. A terapia familiar procura também melhorar a comunicação entre a família e o doente.

Por fim, na terceira e última fase do tratamento, que consiste na prevenção da recaída. Esta fase do tratamento pode durar alguns anos, com consultas periódicas de psicologia e nutricionismo. A pouco e pouco, espera-se que a doente consiga fazer uma alimentação mais equilibrada sem constrangimentos em relação ao seu corpo e que adquira mais confiança em si própria.

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CARACTERIZAÇÃO DO ANORÉCTICO

         Normalmente, as pessoas com problemas de anorexia são jovens, com baixa auto-estima, falta de afecto, alguns traços obsessivos, dúvidas acerca do seu valor pessoal, com elevados padrões de exigência e responsabilidades, normalmente induzidos por uma família rígida, inseguros, que não sentem confiança em si próprios e com dificuldades em estabelecer relações com os outros. Ou seja, sentem que não conseguem gerir a sua vida, enfrentar os problemas, tomar decisões ou simplesmente fazer as coisas bem, o que faz com que se centrem no controlo do seu corpo, como forma de obterem valor pessoal. 

         O paciente anoréctico evidencia-se principalmente pelo seu baixo peso. Isto implica que, dentro do seu próprio ambiente, as pessoas não se apercebem de que o seu colega está doente, ao observarem o seu comportamento. Contudo, se comerem juntos, tornar-se-á evidente que algo de errado se passa.

         De início, o doente não considera o seu comportamento errado, recusando uma ida ao especialista (chega até a achar absurda esta ideia, envolvendo-se, a maior parte das vezes, em conflitos familiares). Fala com normalidade com os seus amigos e familiares sobre as dietas que está a fazer, estando convicto que deve emagrecer cada vez mais, visto que pensa que o seu corpo está com peso a mais.

         Cabe, pois, aos seus familiares e amigos o reconhecimento da doença, já que os próprios não se apercebem de que a sofrem. É necessário que comecem a observar se existem comportamentos estranhos, essencialmente na altura das refeições, e se mantenham alerta, começando a vigiar de perto o possível paciente. No entanto, é importante que os familiares compreendam que a recusa alimentar não é uma teimosia. Mais do que a perturbação da imagem corporal, é o controlo da fome e o horror de engordar que constituem as verdadeiras características da doença. Deste modo, não adianta forçar a ingestão de comida, nem estar sempre a falar da necessidade de comer. As recriminações constantes dos pais e das mães, embora compreensíveis, não ajudam.

 

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OBESIDADE

 

 CONCEITO

              A obesidade é uma doença crónica de armazenamento excessivo de gordura corporal. Este armazenamento excessivo é um reflexo da acumulação de gordura em grandes quantidades no tecido adiposo, que resulta de um excesso de ingestão energética (gorduras, ácidos gordos) quando comparado com a quantidade de energia gasta no seu metabolismo basal (funções orgânicas quando o indivíduo está em repouso) e na sua vida de relação.

            Este distúrbio alimentar, tem na sua origem factores hereditários, bioquímicos, hormonais, ambientais, comportamentais e culturais.

            Esta doença é considerada ameaçadora da vida humana, tendo por isso um elevado significado médico, psicológico, social, físico e económico.

            O grau de obesidade é avaliado em termos de Índice de Massa Corporal (IMC). Este índice, que é medido em kg/m2 e que é calculado da seguinte forma IMC= peso/altura2, foi considerado o indicador mais preciso do grau de “gordura” para todas as alturas.

            Quando o IMC é igual ou superior a 30 kg/m2 em relação à população normal, a obesidade passa a estar associada a doenças debilitantes progressivas e a um risco elevado de mortalidade.

            A obesidade é, actualmente, a forma mais comum de má nutrição dos países desenvolvidos, sendo que o aumento da sua incidência está distribuído em quase toda a população mundial e em ambos os sexos.

 

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Tipos de obesidade

 

            Os tipos de obesidade podem ser definidos tendo em conta os factores que suscitam a doença ou a zona do organismo em que a gordura se concentra em demasia. Deste modo, e tendo em conta os factores iniciadores desta doença, existem quatro tipos de obesidade.

            Em primeiro lugar, existe a Obesidade Genética. Esta afecta apenas 2% a 4% da população e requer um tratamento por médicos especialistas em endocrinologia, uma vez que desde criança que a pessoa apresenta distúrbios metabólicos que são inerentes aos seus genes, herdados dos seus pais.

            Segue-se a Obesidade Nutricional, que é devida à ingestão de alimentos de valor nutricional desadequado. Os indivíduos afectados por esta doença têm tendência a basear a sua alimentação em gorduras, hidratos de carbono e proteínas, pondo de parte alimentos como legumes e frutas. É comum iniciar-se na infância, visto que é nesta altura que as crianças preferem doces a verduras, e que uma criança magra não é considerada saudável. Assim sendo, os pais preferem manter os seus filhos bem rechonchudos, esquecendo-se que, a longo prazo, haverá acumulação de colesterol e triglicéridos no organismo.

            Existe ainda a Obesidade Comportamental, na qual predominam os erros de comportamento. Isto é, estilos de vida desequilibrados que levam muitas vezes a uma alimentação descontrolada. Por exemplo, o sedentarismo, hábitos inadequados na alimentação, como comer muito depressa (sem mastigar bem) ou comer em pé e a andar, comer demais durante a gravidez ou na convalescença de certas doenças, são hábitos que se adquirem e que normalmente se mantêm, terminando em doenças como esta.

            Finalmente, temos a Obesidade Psicológica. Este tipo atinge indivíduos que estão a passar por situações de depressão, ansiedade, conflito emocional, stress, solidão, rejeição ou mesmo uma paixão não correspondida. Estes indivíduos tendem a fazer uma alimentação desequilibrada, na tentativa de compensar o problema que estão a enfrentar. O que acontece é que a pessoa acaba por criar um novo dilema – a obesidade. Em casos em que a situação depressiva se repete, o descontrolo é total, e a pessoa deixa de ter a noção do quanto e do que come. Contudo, nalguns casos de stress, o aumento não se deve ao comer para ultrapassar os problemas, mas sim à falta de actividade física. Por exemplo, uma pessoa em época de exames escolares passa a maior parte do seu tempo sentado a estudar, alimentando-se à base de refeições rápidas (normalmente pouco equilibradas).

            Ficam a faltar-nos dois tipos de obesidade, relacionados com a zona em que a gordura se acumula em demasia. Temos, então, a Obesidade Andróide e a Obesidade Ginóide. Na Andróide, a gordura localiza-se ao nível do abdómen, não superficialmente, mas entre as vísceras, sendo por isso conhecida como obesidade maçã. Esta é típica dos homens, e está associada a complicações metabólicas, como a hipertensão arterial, a diabetes tipo 2, a dislipidémia (descontrolo da quantidade de lípidos no sangue), doenças cardiovasculares, etc.. Para terminar, temos a Obesidade Ginóide, que afecta principalmente as mulheres. Neste tipo de obesidade, a gordura concentra-se nas coxas e nádegas, sendo chamada popularmente obesidade pêra.

 

 

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Causas da obesidade

 

            Como já referimos a obesidade é uma doença cada vez mais comum nos tempos que correm e as crianças e adolescentes são os mais afectados. Este grave distúrbio alimentar pode ser desencadeado por diversos motivos. Entre eles destacam-se o distúrbio nutricional, a inactividade física ou sedentarismo, alterações hormonais, distúrbios psicológicos e neurológicos, determinado tipo de medicação, problemas genéticos ou mesmo pelo em que se vive diariamente.

            Grande parte da população actual adopta uma alimentação muito errada. Abundam as dietas ricas em gorduras e em alimentos muito prejudiciais à saúde. O stress do dia-a-dia e a pressa com que se vive a vida faz com, inúmeras vezes, escasseie o tempo para uma refeição saudável e com a quantidade saudável de nutrientes fundamentais para o organismo. Além disso, vivemos numa sociedade que não tem educação na alimentação. Ao invés de serem seguidas as proporções da pirâmide dos alimentos, são feitas refeições exageradamente calóricas, com excesso nutricional, muito prejudicial à saúde.

            Para piorar a situação, a população actual é muito sedentária, denota-se uma grande taxa de inactividade física. Um pouco de exercício físico e essencial para uma boa saúde corporal e mental e, no entanto, são raros os que o praticam. Se são excedidas as calorias necessárias, estas devem ser abatidas. E nada melhor do que um pouco de exercício. Mas quase ninguém se preocupa com este facto, é mais fácil ficar em casa a acumular gordura corporal. Actualmente a obesidade é mais frequente e mais preocupante nas crianças que, no entanto não são estimuladas a comer bem e praticar exercício. Passam o tempo a comer “porcarias” e sentados a jogar computador ou ver televisão.

            Outro importante factor que pode provocar excesso de peso são os problemas hormonais. Este factor, ao contrário de muitos outros, não depende da pessoa. Problemas nas glândulas endócrinas (que segregam hormonas), principalmente o excesso ou escassez de hormonas associadas ao controlo do peso e do apetite, podem fazer com que não seja efectuada a degradação de açúcares e gorduras ou que o apetite aumente exageradamente e assim desencadear aumento de peso.

            A obesidade pode ter origem, também, em distúrbios psicológicos. Certos problemas como depressões, excesso de stress, entre outros, alteram o sistema nervoso o que vai desencadear um descontrolo geral no organismo. Pode por isso acontecer que estas doenças do foro psicológico aumentem o apetite, descontrolem o metabolismo do corpo e assim podem vir a surgir problemas a nível nutritivo, como por exemplo excesso de peso.

            Outra causa da obesidade pode ser a administração de determinado tipo de medicação ou drogas. Existem muitos medicamentos que, devido à sua composição e à sua função, levam a alterações no apetite (anti depressivos, por exemplo).

Problemas neurológicos, como tumores ou traumas, afectam regiões do hipotálamo relacionadas com mecanismos de saciedade ou de fome. Quando afecta o mecanismo da fome, estimula-o e o apetite aumenta, podendo denotar-se, consequentemente, excesso de peso.

            Além disso, questões relacionadas com o ambiente em que se vive podem levar à obesidade. Por exemplo, viver em constante mudança, efectuando viagens prolongadas e estando exposto a mudanças ambientais pode gerar um descontrolo do organismo, contribuindo para o aumento do peso.

            Finalmente, podem ainda haver problemas genéticos, embora esta causa não seja mais frequente.

            Importa referir que uma causa não invalida a outra e que constantemente surgem até todas em conjunto.

 

 

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Consequências da obesidade

             O excesso de peso acarreta inúmeras consequências muito negativas para o paciente, podendo surgir várias doenças físicas, psicológicas e até problemas de inserção social. Hoje em dia a obesidade é uma patologia gravíssima com um risco de mortalidade relativamente significativo.

            Dentro das doenças de nível físico surgem problemas cardiovasculares como por exemplo hipertensão arterial, arteriosclerose, insuficiência cardíaca ou angina de peito; complicações metabólicas causadas por excesso de gorduras e alterações de tolerância de glicose, originando os diabetes ou ainda problemas no sistema pulmonar, que provocam fadiga, apneia de sono e pode até levar a embolias pulmonares, que são gravíssimas e muito perigosas. Além disso, a obesidade pode causar alterações no aparelho gastrointestinal, como problemas no fígado e nos intestinos (inúmeros tipos de cancro) e nos sistemas Genital, Urinário e Reprodutor podendo desencadear a infertilidade, anomalias fetais associadas à obesidade materna, incontinência urinária e até originar no endométrio, no ovário e na mama, na mulher, e na próstata, no homem, por exemplo.    

            O excesso de peso também provoca, geralmente, problemas ósseos por exemplo, nas articulações, principalmente dos membros inferiores e pode originar varizes (derivadas de insuficiência venosa). Estes dois problemas associados aumentam a propensão às quedas e aos acidentes, que também apresentam um elevado risco para os pacientes.

            A obesidade provoca muitas alterações no aspecto físico dos doentes, alterações estéticas. Essas mudanças podem e levam a discriminação social, por parte de toda a sociedade, ou até ao isolamento, provocado pelos próprios pacientes que não aceitam o seu corpo e pensam que os outros também não os vão aceitar. Todo este afastamento da vida social faz com que os doentes fiquem na solidão podendo desencadear-se depressões e perda de auto-estima, que em nada ajudam uma possível recuperação dos pacientes. Estes problemas de foro neuro e psicológicos são tão ou mais graves que os problemas físicos.  

 

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Sintomas/Diagnóstico

 

            O excesso de gordura corporal não provoca sinais e sintomas directos salvo quando atinge valores extremos. Independentemente do grau ou tipo de obesidade, os doentes apresentam limitações estéticas, uma vez que ultrapassam os padrões actuais de beleza e apresentam pesos  acima dos ditos “normais”.Além disso, os doentes com excesso de peso têm muitas limitações físicas. O elevado peso sobrecarrega a coluna e os membros inferiores. Assim, surgem frequentemente problemas de coluna, nas articulações, dores nos ossos, varizes, etc..Todos estes problemas dificultam a locomoção e acabam com o bem-estar do paciente.

            A obesidade pode também ser detectada por doenças que surgem agregadas a ela. A diabetes e a hipertensão são exemplos disso.

            O diagnóstico desta doença é quase sempre feito através da avaliação do índice de massa corporal (IMC) que é inclusive recomendado pela Organização Mundial de Saúde. Este índice é calculado através de uma razão entre a altura em metros e o peso em quilogramas.

 

IMC = peso / (altura)2

 

Estão estabelecidos e tabelados padrões de IMC.

 

IMC ( kg/m2)

Grau de Risco

Tipo de obesidade

18 a 24,9 

Peso saudável

Ausente

25 a 29,9 

Moderado

Sobrepeso ( Pré-Obesidade )

30 a 34,9 

Alto 

Obesidade Grau I

35 a 39,9

Muito Alto

Obesidade Grau II

40 ou mais

Extremo 

Obesidade Grau III ("Mórbida")

 

            Figura 1. tabela de cálculo de IMC, grau de risco e tipo de obesidade.

 

                        Figura 2.Tabela de cálculo de IMC

 

            Através desses padrões e de acordo com o resultado obtido é feita a classificação do paciente (grau de risco e tipo de obesidade).

 

            No entanto o IMC apresenta alguns problemas:

   ÐO IMC não é aplicável para crianças;

   ÐO IMC não discrimina os componentes gordo e magro da massa corporal total;

   ÐPessoas musculadas e com porte atlético podem tem um IMC inadequado a sua realidade e serem consideradas obesas;

   ÐDiferenças raciais e étnicas também influenciam no IMC, por exemplo pessoas de origem asiática podem ser consideradas mais obesas

   ÐO IMC não é aplicável para idosos, estes possuem classificação diferenciada.

           

            O grau de obesidade pode também ser estimado através do número de pregas de pele no cotovelo ou ainda a partir de um índice denominado Relação Cintura-Quadril, que é obtido pela divisão da circunferência da cintura abdominal pela circunferência do quadril do paciente. A simples medida da circunferência abdominal também já é considerado um indicador do risco de complicações da obesidade, sendo definida de acordo com o sexo do paciente:

 

Risco Aumentado

Risco Muito Aumentado

Homem 

94 cm

102 cm

Mulher 

80 cm

88 cm

 

 


 

Tratamento da Obesidade

 

O tratamento da obesidade deve passar por uma série de medidas reeducativas. Estas medidas vão desde o comportamento e hábitos alimentares, à alteração de estilos de vida sedentários, nos quais a população faz cada vez menos exercício, ao mesmo tempo que aumenta o consumo de gorduras.

Como doença crónica, a obesidade requer um tratamento de longo prazo e com metas realistas, que envolvam uma perda de peso moderada e não a procura de um suposto peso ideal. A Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO) afirmou ser suficiente uma perda de peso moderada, para que haja por exemplo, a redução da pressão arterial.

Desta forma, o tratamento deve passar pelas seguintes fases:

Ø      Deve ser efectuado de forma regular;

Ø      O ritmo de perda de peso dependerá dos casos mas, no geral,  uma perda de 2 a 4 kg por mês será adequada, sendo que nas primeiras semanas se perdem quantidades importantes de água e glicogénio e menos gorduras;

Ø       É mais importante medir o perímetro da cintura do que apenas o peso, para saber se está a haver perda de massa gorda (um emagrecimento correcto mede-se em centímetros, mais do que em quilos);

Ø      uma vez alcançado o peso desejado, as necessidades energéticas serão menores, pelo que se deverá readaptar a ingestão de calorias para evitar que o peso seja recuperado, conseguindo a sua manutenção.

 

A perda de peso pode ser conseguida de várias maneiras. Existem, por exemplo, medicamentos para ajudar a tratar a obesidade. Estes medicamentos dividem-se em dois grupos, de acordo com o seu campo de acção:

Ø      Acção periférica – sobre o sistema digestivo;

Ø      Acção central – sobre o sistema nervoso central.

 

Esta terapêutica faz parte de um plano de acções para o controlo do peso, que inclui modificações a nível comportamental, alimentar e físico. Assim sendo, a medicação isolada não é solução para o problema da obesidade. Este tipo de tratamento tem como objectivo a redução dos factores de risco das doenças associadas à obesidade, como a hipertensão arterial e as diabetes, bem como a redução da gordura e do peso corporais. O medicamento mais eficaz actua ao nível das lipases, inibindo a sua produção. Desta forma, as moléculas de gordura não são desintegradas e por isso não são absorvidas pelo organismo. Esta medicação actua ao nível do intestino.

Outro tipo de tratamento é a insistência na actividade física. Com a actividade física, além de se aumentar o gasto energético diário, aumenta-se a massa magra, o que vai levar a um acréscimo no metabolismo basal, alongo prazo. Além disso, tem inúmeras vantagens para a saúde. O exercício físico regular é muito importante para a prevenção da obesidade, assim como para auxiliar à redução do excesso de peso e para possibilitar que o emagrecimento se mantenha para sempre. O exercício físico deve ser feito de forma periódica, atingindo uma duração de uma hora (aproximadamente), com uma intensidade variável, de acordo com as possibilidades e preferências de cada doente. A actividade física ajuda a emagrecer tanto durante a sua prática, como nas horas posteriores, ou seja, um indivíduo regularmente activo consome mais calorias em repouso do que se fosse sedentário. O exercício “destrói” mais gordura intra-abdominal do que uma dieta, o que é extremamente relevante, visto que essa é a gordura mais ameaçadora e nociva para a saúde. A gordura intra-abdominal está na base de complicações como o aumento da pressão arterial, dos lípidos, da resistência à insulina, das diabetes e do risco de acidentes cardiovasculares, etc. desta forma, concluímos que o exercício físico é indispensável para um bom emagrecimento.

O tratamento da obesidade inclui, também, a realização de um plano alimentar adequado a cada caso. Um plano alimentar para um doente obeso deve ser hipocalórico, isto é, deve fornecer menos calorias do que aquelas que precisamos para o dia-a-dia. Só deste modo a energia que está armazenada na gordura corporal poderá ser utilizada, para que possamos emagrecer. O plano alimentar não deve ser demasiado restrito, correndo-se o risco de se perderem para além de gorduras, quantidades importantes de músculos. Assim, uma dieta alimentar deve ser equilibrado do ponto de vista calórico, sendo que, por exemplo, 30% da energia deve vir das gorduras, 55% dos hidratos de carbono e 15% das proteínas. Por aqui se conclui que as quantidades de gordura devem ser reduzidas e os hidratos de carbono não devem ser excluídos numa dieta. Para além disso, um plano alimentar deve conter quantidades significativas de outros nutrientes como, vitaminas, minerais, água e fibras.

As refeições devem ser repartidas ao longo do dia e devem evitar-se extremos: nem fazer apenas uma ou duas refeições muito avultadas, deixam o organismo horas sem alimento, nem passar o dia a petiscar, sem nunca chegar a fazer uma verdadeira refeição. O mais indicado é fazer três refeições principais (pequeno-almoço, almoço e jantar) e mais duas ou três pequenas refeições.

A culinária escolhida para preparar as refeições deve ser saborosa e pouco gorda. Devem ser privilegiados os estufados e guisados com pouca gordura, ensopados, jardineiras, grelhados, cozidos e caldeiradas e pôr de lado os alimentos fritos, assados no forno com gordura e molhos gordos (por exemplo maionese).

Outro dos métodos de tratamento da obesidade é a cirurgia. A cirurgia é um método mais definitivo, no qual é aplicada uma banda gástrica no estômago do paciente, reduzindo o volume desse órgão e consequentemente o apetite do doente. Existem, ainda, outros tipos de cirurgia que não actuam como cura, mas como um procedimento estético. A lipoaspiração consiste em remover a gordura do tecido adiposo. Deve ser reservada para casos, nos quais, após uma perda satisfatória de peso e sua manutenção, permanecem depósitos localizados de gordura. A dermolipectomia é utilizada para a remoção de dobras/pregas de pele do abdómen e nos membros, decorrentes da perda maciça de peso.

 

Todos estes tipos de tratamentos não devem ser utilizados independentemente uns dos outros. Um emagrecimento saudável resulta da combinação de todos eles.

            Em suma, uma atitude responsável perante esta doença e tratamento adequado são essenciais para se obterem bons resultados.

 


 

 

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